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domingo, 2 de dezembro de 2012

Madalena Moog - Philipéia (2012)



Madalena Moog é uma banda que já participa há algum tempo do cenário independente de João Pessoa. O seu mentor, Patativa Moog, não é paraibano de nascença, mas é de vivência. Mora no centro histórico da cidade, e tem o privilégio de ser quase vizinho de um dos principais pontos de encontro de figuras interessantes do lugar: a Cachaçaria Philipéia. Philipéia de Nossa Senhora das Neves é o nome colonial da capital paraibana. A cachaçaria é um ponto focal do centro, um daqueles lugares tão carregados de conversas sóbrias e bêbadas que só de se entrar a pessoa já se sente parte da história da cidade.

Philipéia, o disco novo de Madalena Moog, funciona como ode a João Pessoa e como homenagem à cachaçaria, que por si só também é uma ode a João Pessoa. É um daqueles discos pra ser escutado do começo ao fim, na ordem. O som se distancia cada vez mais do rock dos primeiros discos, e abraça uma coisa mais light, mais samba, mais carnaval. As letras, mesmo quando não falam sobre a cidade, falam sobre a cidade. Um trecho de uma letra diz: "deu no jornal, vai ter aumento de passagem". Pode ser qualquer lugar do Brasil, mas ao mesmo tempo soa extremamente pessoense no contexto.

O disco fecha com um interessantíssimo depoimento de um dos pioneiros do samba, um conselho para qualquer pessoa que faça música brasileira e que queira ter alguma relevância musical em qualquer época.

Tracklist:

01 - Ela Só Pensa Em Namorar
02 - Bifurcação
03 - Felicidade
04 - Philipéia
05 - As Borboletas
06 - Como É Triste!
07 - Beco da Cachaça
08 - Elogio ao Mestre Donga


terça-feira, 17 de agosto de 2010

Madalena Moog – Júpiter e seus satélites (EP 2006)


Quando veio morar em Porto Alegre, no primeiro semestre de 2006, ele “veio de mala e cuia”, como dizem lá pelas bandas de João Pessoa, que foi de onde ele veio, meu amigo Patativa. Aqui, na PUC, nós nos encontramos e, ali pelo café do Prédio 5 ou do 50, em dias bem frios, falávamos sobre arte, cultura, música, etc.



E foi numa dessas conversas que ele me falou da saudade que tinha de tocar sua guitarra, que não trouxera consigo. Nas mudanças, nós sempre deixamos algo para trás, alguma coisa que não podemos levar. Foi aí que eu decidi lhe apresentar um amigo meu, Tiegue, guitarrista que, depois, tornou-se amigo do Patativa, e encabeçou a nova formação da Madalena aqui em PoA, acrescentando o “Moog”, em homenagem ao Viana Moog e, principalmente, ao Robert Moog, que foi quem criou lá pelos anos 60 o sintetizador analógico que leva o seu nome. A idéia, segundo soube, era remeter o som da banda às referências retrôs tão marcantes aqui, e mesmo que não viessem usar o tal instrumento em futuros shows. Sim, porque logo depois desses primeiros encontros e papos animados, começaram a programar ensaios e mil idéias que não vingariam. Certo mesmo é que Patativa se animou ao ponto de mandar buscar a sua guitarra (uma Cort Mirage 500) em João Pessoa, e também seus pedais. Certo também é que, além de um único show que fizeram por aqui, ali no Kant (bar e filosofia de bar), na Cel. Neves, 150, Medianeira, a Madalena Moog também gravou, na casa de Tiegue, que era onde também ficava o estúdio, três músicas que eu adoro, e que até hoje me pego cantando pela casa em dias coloridos assim, como o de hoje.


Madalena Moog. Kant: bar e filosofia de bar. Medianeira. Porto Alegre, 30/04/2006.


Não sei mais repetir a origem das músicas – um dia eu já soube. E quando ouço “Inés”, não lembro de bandas referentes. Isso é bom? Quando escuto “Carrossel”, é com uma tristeza feliz que escuto. O som do órgão, aí, dá um peso bem grave a tudo, inclusive ao poeminha que se mostra tão leve, narrando cenas de um dia de verão/outono... e faz aumentar a sensação de fim de dia, e de uma solidão acompanhada de lembranças mudas. Gosto de “Carrossel”, e o nome me soa onomatopéico. De “Júpiter e seus satélites” nada sei dizer, pois essa, até onde eu soube, foi gravada em João Pessoa, também em casa. Ia cometendo uma injustiça horrível: a formação da banda, aqui (que durou menos de um ano), também contou com: Alet Castro (baixo), Juliano Rodrigues (bateria) e Louise Frasca e Jaqueline Tomasini, que davam uma força nos backing-vocals. Enfim... O que restou desse tempo bom foi um verso que eu corto de “Inés”, pra reclamar que “Patativa nunca liga, nem manda e-mail”. Que pessoa mais ingrata!

Tatiana P. Rohden

Ficha:

Júpiter e seus satélites foi gravado em setembroutubro de 2006, em casa (de Tigue V. Rodrigues). Patativa tocou guitarra e teclado e cantou em todas as músicas, e fez as programações de bateria em “Júpiter e seus satélites”. Tiegue tocou guitarra-solo em “Inés”, em “Carrossel”, nas quais também gravou os sintetizadores e fez as programações. Em “Júpiter e seus satélites” Edy Gonzaga gravou o baixo, depois. As músicas não tinham finalidade comercial, e por isso não receberam tratamento adequado. Esse EP é para Tatiana (Tatchiiii...), que fez o release e exigiu mostrá-lo aos nossos amigos.

FONTE: http://www.madalenamoog.blogspot.com/

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quinta-feira, 1 de julho de 2010

Madalena Moog – Universal Park (2009)


A faixa "Grow up!" dá a tônica e a musicalidade desse novo trabalho. O crescimento pode acontecer de forma serena ("Grow up!"), como também pode acontecer de forma violenta ("Grow up! 2"). Ao ouvir as duas versões, o entendimento vem de imediato. Madalena Moog dita um mote de álbum conceitual (a maioria das músicas giram em torno de um mesmo assunto, além da repetição de um tema, no caso, "Grow up!"), porém, foge do conceito e do padrão.

A banda, depois de quase oito anos na estrada, entre idas e vindas, paradas e atropelos, encontrou uma formação concisa e entrosada. E mesmo com o domínio da sonoridade retrô (como denuncia o Moog), a banda não vive o passado nostalgicamente, mas cresce com os eventos e adventos da longa e sinuosa estrada. O universo da Madalena Moog se revela nas citações e fragmentos sonoros reunidos ao longo das doze faixas. Entre as citações, além do trecho de poemas de William Blake – esse explícito e confesso no encarte ("Joy is my name"/"Ah! Sun-flower!") – são percebidas frações de Roman Polanski, Tom Jobim, Chico Buarque, Eric Clapton, Woody Allen, Beatles, William Burroughs ("Eu vejo os espelhos"/"Hey, amigo!"), Marshall McLuhan, Gerson Conrad ("Universal Park"/"Sonic Lab"), Os Mutantes e Wondermints ("Arnado dos Mutantes").

Em "Eu vejo os espelhos" detectam-se filmes, MPB e poesia beatnik, onde, implicitamente, uma atmosfera psicodélica se instala com uma a guitarra indo da direita pra esquerda, enquanto um discurso impertinente é proferido. Em "Universal Park" e "Sonic Lab" o experimentalismo predomina na letra da primeira, e na musicalidade da segunda. Sem esquecer de mencionar o sutil humor no tom e nas palavras que saem da boca de Patativa Moog. Como cúmplices e parceiros dessa empreitada, estão: Edy Gonzaga (baixo/violões/guitarras), Rieg Wasa (guitarras/sintetizadores/computadores), Emerson Pimenta (bateria) e João Henrique (trompete).

Madalena Moog diz adeus ao passado ("Hello! Goodbye!"), e nos mostra uma visão do presente. Uma visão do mundo, exclusiva deles, que não nos pertence. Resta-nos a música, que nos dá asas para acompanhar, não só o presente, como também, conhecer o passado e se lançar ao futuro.

Escrito por Olga Costa


Madalena Moog é:

Patativa Moog: voz, guitarras, violões, teclados, baixo, efeitos

Rieg Wasa: guitarras, sintetizadores, computador

Edy Gonzaga: baixo, guitarras, violões

Emerson Pimenta: bateria

João Henrique: trompete

Produzido por Madalena Moog. “Universal Park” foi gravado, mixado e masterizado entre julho de 2008 e maio de 2009, no Estúdio Peixe-Boi (João Pessoa-PB), por Marcelo Macedo e Madalena Moog. Letras e músicas de Patativa, exceto “Hello! Goodbye!”, letra de Patativa e Olga Costa. “Joy is my name” e “Ah! Sun-flower!” contêm trechos de poemas de William Blake, a quem é dedicado este álbum, e outros acidentes. Nildo Gonzalez toca bateria nas faixas: 3, 4, 7, 8, 10, 11 e 12; Biu Nett toca baixo nas faixas 1 e 2. Outras participações: Jean, trombone; Mirna Hipólito, flauta transversal; Sarah Falcão, violino; João Cassiano, percussão; Técci Brandão, backing vocal. Outras vozes: Julie Christie (interview nas duas versões de “Grow Up!”); Fabiano Formiga, Marcelo Macedo (falas adicionais em “Arnaldo dos Mutantes”); o discurso de “Eu vejo os espelhos” é sampleado de Propagandhi: “Only good fascist is a dead one”. As fotos do encarte são de Sarah Falcão e Anderson Silva. A todos que tornaram este álbum possível, e a você que gosta da banda, muito obrigado!

A música "Grow up!" (do álbum de 2009, "Universal Park"), da Madalena Moog, está na 78º emissão da rádio-web portuguesa Cowboy Cantor (ouve aí, é a segunda na programação): http://media.libsyn.com/media/cowboycantor/078.mp3
"Lucy fala com as paredes", da Madalena Moog está no Programa Frente (#34), apresentado pelo Henrique Portugal (Skank):
http://programafrente.com.br/home/

1 – Grow Up!

2 – Hello! Goodbye!

3 – Grow Up! (versão 2)

4 – Hey, amigo!

5 – Sonic Lab

6 – Ah! Sun-flower!

7 – Joy is my name

8 – Edmundo Gonzalez

9 – Universal Park

10 – Lucy fala com as paredes

11 – Arnaldo dos Mutantes

12 – Eu vejo os espelhos


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