01. Sextilhas (Início De Cantoria) 02. Gemedeira 03. Mourão De Sete Pés (Trocado) 04. Mourão De Você Cai (Dez Pés Lá Vai) 05. Oito Pés A Quadrão 06. Dez Pés A Quadrão 07. Martelo-Alagoano 08. Galope À Beira-Mar
01. O poeta e o passarinho (Otacilio Batista) 02. Advertência (Oliveira de Panelas) 03. O homem de Belém (Otacilio Batista) 04. Conformação (Oliveira de Panelas) 05. Coisas do sertão (Otacilio Batista) 06. Filho renegado (Oliveira de Panelas) 07. Engenho de pau (Otacilio Batista) 08. Conflito das nações (Oliveira de Panelas) 09. Oração da paz(Oliveira de Panelas) 10. 12 horas, 12 dias, 12 meses, 12 anos (Otacilio Batista)
01. Pot-pourri: Martelo dodecassílabo/ Mourão / Dez pés a quadrão
02. Pot-pourri: São Paulo faz tanto frio que doe na carne da gente (Mote) / Brasil caboclo
03. Estilo Galope à Beira do Mar
04. Padre Cícero Romão Batista, Virgulino Ferreira, Lampião
05. Estilo Gemedeira
06. O Vaqueiro e O Pescador
07. Vamos Pedir a Pelé que não deixe de Jogar
08. Pot-Pourri de Estilos de Cantoria
A MÚSICA BRASILEIRA POR SEUS AUTORES E INTÉRPRETES.
Série lançada a partir de parceria entre a Fundação Padre Anchieta e o SESC São Paulo. Gravação original realizada em 27/09/1973 para o programa "MPB - Especial", dirigido por Fernando Faro na TV Cultura de São Paulo, no qual alternavam-se músicas e depoimentos do artista focalizado.
Diniz Vitorino (06/05/1940 - 05/06/2010), Paraibano de Lagoa de Monteiro, gravou 2 LPs e 1 Cd, participou de vários festivais de violeiros, conseguindo 23 primeiros lugares. Publicou 4 livros de poesias, três romances e vários córdeis. Um dos grandes mestres de uma geração de repentistas históricos. Era de família de poetas, filho de Joaquim Vitorino e irmão do também poeta Lourinaldo Vitorino.
Diniz Vitorino
Diniz foi parceiro de nomes clássicos da nossa cantoria de repente, entre eles, e é impossível citar todos, estão; Manuel Xudú, os irmãos Batista, Pinto do Monteiro, Jó Patriota, Ivanildo Vilanova, Geraldo Amâncio, Oliveira de Panelas, entre tantos outros.
O mestre Diniz era dono de uma das vozes mais fortes do repente. De uma linhagem de poetas eruditos e letrados, com um vocabulário rebuscado tanto no falar como no modo de cantar de improviso, ou escrevendo seus sonetos.
Abaixo, o áudio de "Martelo agalopado-Galope à beira mar-Oito ao quadrão":
Otacílio Guedes Patriota, mais conhecido como Otacílio Batista, nasceu a 26 de setembro de 1923 em São José do Egyto (PE) e morou na Paraíba desde 1977. Membro de uma família onde contabiliza mais de cem cantores e poetas, ingressou definitivamente na carreira musical quando fez sua primeira cantoria, na tradicional festa de Reis, realizada em sua cidade natal, no dia 6 de janeiro de 1940.
Numa época em que os repentistas eram mais aventureiros, Otacílio se apresentava por várias cidades do interior nordestino, juntamente com os irmão Lourival e Dimas Batista. Nesse ritmo, rapidamente aprimorou seu trabalho, envolvendo a diversidade de tipos da cantoria com suas sextilhas, “quadrão” em 8 e em 10, martelo agalopado, mote, gemedeira, entre outros.
Por exigência da profissão, as viagens continuaram, mesmo depois que foi morar no Ceará, onde ficou por mais de 20 anos, casando-se com Rosina Freitas, com quem teve 10 filhos. Além das aventuras, a época favorecia também maior atuação dos repentistas nas rádios nordestinas. Em Pernambuco, participou de um programa na Rádio Clube de Pernambuco e também em emissoras de Caruaru, Fortaleza e na Rádio Tabajara de João Pessoa, onde manteve um programa diário durante mais de 10 anos. Otacílio também teve participações na televisão, a exemplo do Som Brasil, apresentado por Rolando Boldrin.
Quando vivia somente de sua arte, Otacílio viajou muito percorrendo o Brasil de ponta a ponta. Esteve também no exterior. Quando em parceria com Oliveira de Panelas foi a Portugal em 1996, a convite do governo português; e a Cuba, quando participou do Festival de Cultura Caribenha, no ano de 1997.
Repentista, escritor e sobretudo poeta, Otacílio registrou sua obra em 9 discos, mais de 10 livros, vários folhetos de cordel, além de ter sido tema em matérias jornalísticas da grande imprensa brasileira, a exemplo do Jornal do Brasil e Folha de São Paulo. No campo literário, considera sua obra mais importante a Antologia Ilustrada dos Cantadores, cuja primeira edição foi lançada em 1976. Esgotado em suas duas edições, o livro consiste numa pesquisa relatando a vida e obra de mais de 300 cantadores de viola.
Otacílio lançou também os livros de poesia Ria até cair de Costa(82), A Criança Abandonada e outros Poemas (83), O Caçador de Veado (87), O Que Me Falta Fazer mais e Outros Poemas(90), Poemas Escolhidos (93); os autobiográficos Os Três Irmãos Cantadores (95) e Dois Poetas do Povo e da Viola – Otacílio Batista e Oliveira de Panelas (96); além dos cordéis Peleja de Otacílio Batista com Zé Ramalho e Peleja de Zé Limeira com João Mandioca, entre outros.
Sua discografia é composta pelos LPs Só Deus Improvisa Mais – Otacílio Batista e Oliveira de Panelas (1976), Otacílio Batista do Pajeú, produzido por Zé Ramalho em 1976, Os Irmãos Batista do Pajeú – Dimas, Otacílio e Lourival, Coletânea de Repentistas (75), Apelo ao Papa (parceria com Pedro Bandeira quando se apresentou na visita de sua Santidade a Fortaleza em 1980), Meio Século de Viola (89).
Confira abaixo o Documentário "A Voz do Uirapuru" sobre a vida e obra de Otacílio Batista.
Depois de ouvir Otacílio Batista cantar durante um festival de violeiros realizado no Rio de Janeiro, o poeta Manuel Bandeira escreveu os seguintes versos:
“Anteontem, minha gente, Fui juiz numa função De violeiros do Nordeste Cantando em competição, Vi cantar Dimas Batista, Otacílio, seu irmão, Ouvi um tal de Ferreira, Ouvi um tal de João. Um a quem faltava um braço Tocava cuma só mão; Mas como ele mesmo disse, Cantando com perfeição, Para cantar afinado, Para cantar com paixão, A força não está no braço, Ela está no coração. Ou puxando uma sextilha, Ou uma oitava em quadrão, Quer a rima fosse em inha Quer a rima fosse em ao, Caíam rimas do céu, Saltavam rimas do chão! Tudo muito bem medido No galope do Sertão. A Eneida estava boba, O Cavalcanti bobão, O Lúcio, o Renato Almeida, Enfim toda comissão. Saí dali convencido Que não sou poeta não; Que poeta é quem inventa Em boa improvisação Como faz Dimas Batista E Otacílio seu irmão; Como faz qualquer violeiro, Bom cantador do Sertão, A todos os quais humilde Mando minha saudação.”