Páginas

Mostrando postagens com marcador Pedro Osmar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pedro Osmar. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Cantata Popular I (2000)





A coletânea Cantata Popular I foi idealizada e realizada por Pedro Osmar em parceria com Heriberto Coelho, do Sebo Cultural. Foi feita quase que como um manifesto de guerrilha cultural, pela necessidade de se registrar e difundir a música que vinha sendo feita. Lançada no ano 2000, é um retrato fiel da música puramente paraibana dos anos 90. 


Entre as faixas, se encontram músicas de Pedro Osmar e Paulo Ró, as mentes por trás do Jaguaribe Carne, Escurinho do tempo da banda Labacé, a faixa Meu Brasil Que Não é Meu da Tribo Éthnos (que já apareceu antes aqui), algumas músicas do Assaltarte, a clássica Deu o Caray de Alex Madureira, um belíssimo samba de Adeildo Vieira e muitas outras que formam uma paisagem sonora paraibana

Pedro Osmar, no encarte do disco, diz: "Junto ao nome do deputado estadual Ricardo Coutinho, candidato a prefeito pelo PT, somado a todos os companheiros da revolução do cotidiano, [Heriberto Coelho] assume a produção militante deste disco junto com os artistas com os artistas comprometidos que fazem hoje a linha de frente da nova música da Paraíba" 

Então nada mais adequado para o primeiro post de 2011, saudando o início do mandato de Ricardo Coutinho como governador do nosso estado do que este manifesto de mais de dez anos atrás pela cultura paraibana. 

Tracklist: 
entre parêntesis, o nome do compositor; fora do parêntesis, o intérprete 

01 - Deu o caray (Alex Madureira) - Alex Madureira 
02 - Branco (Marcos Fonseca) - Soraia Bandeira 
03 - Contos da ôca ôca (Jonathas Falcão) - Glaucia Lima 
04 - Um samba (Wander Farias) - Wander Farias 
05 - Ancestrais (Milton Dornellas) - Milton Dornellas 
06 - Aos que se foram (Pedro Osmar) - Pedro Osmar 
07 - Baticum (Escurinho) - Escurinho 
08 - Carta pra Dionísia (Paulinho Ditarso) - Paulinho Ditarso e Diana Miranda 
09 - Ao rés de mim (Paulo Ró/Águia Mendes) - Paulo Ró 
10 - Quem inventou o samba (Adeildo Vieira) - Adeildo Vieira 
11 - Amo você (João Linhares) - João Linhares 
12 - Variou (Mestre Fuba) - Mestre Fuba 
13 - Boi germinal (Marcos Fonseca) - Marcos Fonseca 
14 - Perdizes (Tatá Almeida/Chiquinho Mino) - Tatá Almeida e Chiquinho Mino 
15 - Mais além (Chico Viola) - Chico Viola 
16 - Meu Brasil (Ratto/Vant) - Tribo Éthnos 
17 - Abraço ao mano (Xisto Medeiros) - Xisto Medeiros 
18 - Metalurgiarte (Gualter Ramalho/Geber Ramalho) Metalúrgica Felipéia 

Mamma Jazz - Nôkana Disquicy (2010)





Quando eu entrei na UFPB no ano passado, andando pela Praça da Alegria com o violão, conheci um pessoal do Congo, que se prontificou a se reunir ao meu redor e passar quase uma hora cantando as músicas de seu país num coro africano hipnotizante. Meu único pensamento ao sair de lá era "meu irmão, alguém tem que fazer uma banda com esse pessoal!". E foi quando descobri que essa idéia já tinha sido feita, lá pelo final dos anos 90. Mamma Jazz nasceu de uma conversa entre os músicos Pedro Osmar e o músico guineense Guilherme Semmedo, que resolveram reunir os artistas estrangeiros da UFPB pra que eles pudessem se expressar e se integrar de vez à comunidade paraibana. O resultado encanta qualquer pessoa que tenha pelo menos um gene africano. 


O projeto conta com parcerias como Gláucia Lima, Jorge Negão e Adeildo Vieira, autor de algumas das músicas do disco. As letras passam do português ao crioulo às línguas africanas, o som é suave, cheio de metais, coros de vozes africanas, percussões, lembrando o de grandes músicos africanos como Koffi Olomidé ou Papa Wemba


Aí vai um trecho do show de lançamento desse disco: 




Tracklist: 


01 - Nôkana Disquicy 
02 - Hábraços 
03 - Balôba & Balula 
04 - Nada mudou 
05 - Didi mem 
06 - O Mito 
07 - Lebiscimente - Bang Bang 
08 - Chega Junto 
09 - Fidjo Matcho 
10 - Sufry 
11 - N' Bombô 
12 - N' Rico Pabia 

Pedro Osmar e Loop B - Farinha Digital (2007)

via http://odhecaton.blogspot.com




Na música, a maior parte das coisas que deram os resultados mais interessantes surgiram a partir da fusão de elementos contrastantes, muitas vezes até opostos e à primeira vista inconciliáveis. Visto daí, esse disco deve ser uma das obras mais interessantes desse começo de século.

Por um lado, temos Pedro Osmar, paraibano, veterano de música experimental com oJaguaribe Carne, fundado em 1974, um dos primeiros e até hoje ainda poucos praticantes da livre improvisação no estado. Sua especialidade são percussões, violas, violões, a sonoridade acústica da música popular nordestina. Junto a ele, temos Loop B. Paulista, programador de sons, um mestre da música eletrônica, dos samples, do que há de mais moderno em relação à tecnologia musical. Dois perfis aparentemente tão distantes, mas na verdade muito próximos, graças ao prazer pela experimentação. Entre a instrumentação usada por Loop B, além dos xing lings eletrônicos temos uma geladeira, uma furadeira, um bujão, um tanque de chevette (que aparece ligado num pedal delay) cápsulas vazias de balas de canhão, um serrote, um monitor de computador, um painel de carro, uma placa e uma espada de brinquedo.

Entretanto, se você espera um disco barulhento, experimentações que vão longe demais e não chegam em lugar nenhum, aquela excentricidade pelo mero prazer da excentricidade, está enganado. O cuidado com a sonoridade é tão grande que mal dá pra notar que tem um tanque de chevette cantando - algumas músicas quase beiram o easy-listening. Um disco para provar que não necessariamente o que é experimental é barulhento e que nem necessariamente o agradável tem que ser simples e desinteressante - uma concepção comum entre os experimentadores mais brabos.

Tracklist:

01 - Farinha Digital
02 - Ninguém Leva Nada a Sério
03 - Suíte Negona
04 - Racuntá
05 - Que Carro de Boi é Esse?
06 - Nordeste Indiano
07 - Pirão de Viola
08 - Nega Dida
09 - Maracatu Colibri
10 - Tema de Lira
11 - Uma Espada ou Tosse