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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Mamma Jazz - Nôkana Disquicy (2010)





Quando eu entrei na UFPB no ano passado, andando pela Praça da Alegria com o violão, conheci um pessoal do Congo, que se prontificou a se reunir ao meu redor e passar quase uma hora cantando as músicas de seu país num coro africano hipnotizante. Meu único pensamento ao sair de lá era "meu irmão, alguém tem que fazer uma banda com esse pessoal!". E foi quando descobri que essa idéia já tinha sido feita, lá pelo final dos anos 90. Mamma Jazz nasceu de uma conversa entre os músicos Pedro Osmar e o músico guineense Guilherme Semmedo, que resolveram reunir os artistas estrangeiros da UFPB pra que eles pudessem se expressar e se integrar de vez à comunidade paraibana. O resultado encanta qualquer pessoa que tenha pelo menos um gene africano. 


O projeto conta com parcerias como Gláucia Lima, Jorge Negão e Adeildo Vieira, autor de algumas das músicas do disco. As letras passam do português ao crioulo às línguas africanas, o som é suave, cheio de metais, coros de vozes africanas, percussões, lembrando o de grandes músicos africanos como Koffi Olomidé ou Papa Wemba. 


Aí vai um trecho do show de lançamento desse disco: 




Tracklist: 


01 - Nôkana Disquicy 
02 - Hábraços 
03 - Balôba & Balula 
04 - Nada mudou 
05 - Didi mem 
06 - O Mito 
07 - Lebiscimente - Bang Bang 
08 - Chega Junto 
09 - Fidjo Matcho 
10 - Sufry 
11 - N' Bombô 
12 - N' Rico Pabia 

João Cassiano - Nômade Riddim Vol. 04 (2011)

via http://odhecaton.blogspot.com




Além de seus trabalhos com a ChicoCorrea & Electronic Band e com a Cia. Lunay, Cassiano também tem seu projeto solo de música eletrônica, quando deixa de lado a percussão pela qual é mais conhecido. O projeto é um conjunto de beats eletrônicos sentados ali na fronteira entre o lo-fi e o bem produzido, e entre o experimental e o massificado. Entre uma linha de synths dissonantes e outra, vem uma virada de bateria digna de swingueira. É uma grande compilação em homenagem à música do terceiro mundo, afundado numa espiral de globalização e pobreza, uma homenagem àquelas músicas que são tão marginalizadas quanto o morador da Rocinha no Rio ou do bairro do Rangel de Luanda, do funk carioca ao bhangra à música bérbere eletrônica do Maghreb. É fácil imaginar que a música da série Nômade Riddim, primitiva, repetitiva, hipnótica, poderia ser tocada por tribos africanas de séculos atrás se eles tivessem turntables e synths. É uma rave no deserto do Senegal.

Tracklist:

01 - Amor Tropical
02 - Loa
03 - Wooblezabumba
04 - Lajedo
05 - Boda Boda
06 - Cobra 0.9
07 - As Caveiras Se Levantam (Tututu Riddim)
08 - Sertão

Pedro Osmar e Loop B - Farinha Digital (2007)

via http://odhecaton.blogspot.com




Na música, a maior parte das coisas que deram os resultados mais interessantes surgiram a partir da fusão de elementos contrastantes, muitas vezes até opostos e à primeira vista inconciliáveis. Visto daí, esse disco deve ser uma das obras mais interessantes desse começo de século.

Por um lado, temos Pedro Osmar, paraibano, veterano de música experimental com oJaguaribe Carne, fundado em 1974, um dos primeiros e até hoje ainda poucos praticantes da livre improvisação no estado. Sua especialidade são percussões, violas, violões, a sonoridade acústica da música popular nordestina. Junto a ele, temos Loop B. Paulista, programador de sons, um mestre da música eletrônica, dos samples, do que há de mais moderno em relação à tecnologia musical. Dois perfis aparentemente tão distantes, mas na verdade muito próximos, graças ao prazer pela experimentação. Entre a instrumentação usada por Loop B, além dos xing lings eletrônicos temos uma geladeira, uma furadeira, um bujão, um tanque de chevette (que aparece ligado num pedal delay) cápsulas vazias de balas de canhão, um serrote, um monitor de computador, um painel de carro, uma placa e uma espada de brinquedo.

Entretanto, se você espera um disco barulhento, experimentações que vão longe demais e não chegam em lugar nenhum, aquela excentricidade pelo mero prazer da excentricidade, está enganado. O cuidado com a sonoridade é tão grande que mal dá pra notar que tem um tanque de chevette cantando - algumas músicas quase beiram o easy-listening. Um disco para provar que não necessariamente o que é experimental é barulhento e que nem necessariamente o agradável tem que ser simples e desinteressante - uma concepção comum entre os experimentadores mais brabos.

Tracklist:

01 - Farinha Digital
02 - Ninguém Leva Nada a Sério
03 - Suíte Negona
04 - Racuntá
05 - Que Carro de Boi é Esse?
06 - Nordeste Indiano
07 - Pirão de Viola
08 - Nega Dida
09 - Maracatu Colibri
10 - Tema de Lira
11 - Uma Espada ou Tosse


José Alberto Kaplan e W. J. Solha - Cantata pra Alagamar (1978)

via http://odhecaton.blogspot.com 








José Alberto Kaplan foi um compositor argentino naturalizado paraibano que foi um dos principais responsáveis pela formação de inúmeros músicos no estado. Waldemar José Solhaé um escritor, dramaturgo, poeta e artista plástico paulista que também decidiu se instalar definitivamente na Paraíba nos anos 1960. Esses dois foram responsáveis por, em 1978, compor a Cantata pra Alagamar, uma ópera camponesa que, em plena ditadura militar, denunciava a perseguição dos militares contra trabalhadores sem terra da região de Alagamar, entre Salgado de São Félix e Itabaiana, no interior do estado.

O arcebispo da Paraíba, Dom José Maria Pires, acompanhava as lutas pela reforma agrária desses camponeses. Kaplan na época era um grande amigo do arcebispo, e por causa da vontade de criar algo que tivesse alguma relevância social em seu meio, inteirou-se da causa e chamou Solha para escrever um libreto sobre o tema. Toda a estética da obra é popular, baseada em ritmos e gêneros populares - a começar pelos versos, que incorporam gêneros de poesia popular como o martelo agalopado e a gemedeira. Devido ao seu caráter político, a cantata não poderia ser apresentada em teatros, pois seria barrada pela censura - a solução foi apresentar em igrejas. Ao apresentarem a obra em Itabaiana, onde acontece a história, a polícia cercou a igreja onde acontecia a performance mas não conseguiu frear o ânimo do povo que aplaudia de pé. O próprio papa João Paulo II, em sua visita ao Brasil em 1980, ia ver a peça, mas chegou convenientemente atrasado ao descobrir dos temas que tratava.

Tracklist:

01 - Cantata pra Alagamar

Milton Dornellas - Sete Mares (2000)

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Milton Dornellas é um carioca que chegou em João Pessoa em 1973, aos 14 anos, e se tornou uma das figuras mais importantes da cultura paraibana - tanto que em 2009 recebeu o título de cidadão pessoense. A partir da década de 80, Milton começou a se integrar ao cenário musical da cidade. Juntou-se a Pedro Osmar, Paulo Ró, Adeíldo Vieira, Totonho e outros músicos da época e fundou o Musiclube da Paraíba, um grupo que impulsionou imensamente a produção musical paraibana. Colaborou com grupos como Jaguaribe Carne, fundou o grupo Etnia e, junto a Xisto Medeiros e Marcos Fonseca, fez parte do projeto Assaltarte, que levou a música paraibana para os bairros mais remotos da capital em apresentações relâmpago.

Além disso, Milton também tem vários discos de suas próprias composições. Sete Mares, de 2000, é um disco quase conceitual, com músicas de temas bucólicos. Um espirito de simplicidade, aquela coisa da música folclórica, paira por todo o disco, que conta com composições de Milton em parceria com Pedro Osmar, Chico César, Totonho e vários outros nomes importantes da música paraibana.

Tracklist:

01 - Sete Mares
02 - Pernas e Bocas
03 - Lual
04 - Mar de Dentro
05 - Mural
06 - Lembrete
07 - Berço das Pedras
08 - Flamboyant
09 - Soma
10 - Dona Mariana
11 - Quer Dançar
12 - Da Roupa a Renda

Metal Brain - The Core of Life (1996)

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A Metal Brain começou em novembro de 1991, como uma Metallica Cover, e assim permaneceu até 1994. O baixista Elyzomar Braga e o vocalista e guitarrista Kléber Alexandre, que são de Cajazeiras, faziam parte da Conspiração Apocalipse, uma das primeiras bandas de rock a vir do sertão. Quando a Apocalipse veio tocar no SESC, o caminho estava aberto para os meninos (além desses dois, havia o baterista Marcus Vinicius e o guitarrista Walter Guimarães). Em 1995, eles entram em reclusão para ressurgir no ano seguinte com um CD pronto, o The Core of Life. A produção impressionava para uma banda paraibana: o CD foi feito pela Sonopress, agenciada pela MCK, gravado no SG Studio de João Pessoa, e vinha completo com encarte em inglês – buscando um público internacional. Não só, a Metal Brain inovou ao ser uma das primeiras bandas, em plenos anos 90, a disponibilizar o CD inteiro para download na internet, naqueles precários sites de mp3 em que cada musica vinha compactada e você tinha que baixar uma por uma. A banda terminou em 2000, segundo o site oficial devido a uma estagnação do cenário do rock. Um segundo CD, Lost in Time, estava sendo planejado, mas nunca saiu. 

Escutando o The Core of Life, você esquece que é uma banda paraibana dos anos 90. Os vocais em inglês, que muitas vezes traem a origem dos integrantes, funcionam perfeitamente, e a competência dos músicos é comparável à de seus ídolos Metallica, Megadeth, Sepultura... Serve pra nos lembrar de vez em quando que a Paraíba tem uma diversidade musical maior do que se pode pensar, e que é possível fazer metal de qualidade. Indispensável pra headbangers nordestinos – e do mundo todo. 

01 - The Core of Life 
02 - Night Escape 
03 - The Obscure 
04 - Life and its Lies 
05 - Dirty Religions 
06 - Neverland 
07 - War Film 
08 - Christ's Lips 
09 - Kill or Die 
10 - Dream 

Chico Correa & Thomas Barrière - Canape Duo Concert (2012)





Estamos falando aqui de um duo de guitarras - mas se não fosse a capa do álbum e o vídeo lá embaixo pra comprovar, seria difícil convencer vocês de que nessas cinco faixas tem só duas guitarras tocando ao vivo.

Thomas Barrière  e ChicoCorrea  formam o Canape Duo. Thomas é francês e vive em Le Thor, no sul do país, e ChicoCorrea é paraibano. Os dois são guitarristas, mas acima de tudo experimentadores, com um currículo considerável no campo da improvisação livre. Com suas guitarras e um exército de aparelhos eletrônicos, os dois constroem atmosferas com texturas que vão se modificando lentamente e imperceptivelmente, numa polifonia de timbres, ruídos e fragmentos melódicos que flutuam à deriva na massa sonora. Técnicas expandidas do instrumento e os vários equipamentos à disposição do duo permitem o aparecimento de elementos impensáveis - aqui uma percussão meio africana, ali um som de sopros orientais, e vez por outra uma passagem mais ruidosa quase digna de John Zorn. Improvisando ao vivo durante quase uma hora, o Canape Duo consegue manter a música viva e respirando ininterruptamente, criando uma espécie de mantra eletrônico do século XXI.

Tracklist:

01 - ChicoCorrea&ThomasBarrière 1
02 - ChicoCorrea&ThomasBarrière 2
03 - ChicoCorrea&ThomasBarrière 3
04 - ChicoCorrea&ThomasBarrière 4
05 - ChicoCorrea&ThomasBarrière 5


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Zé Ramalho - Orquídea Negra (1983)

1 - Orquídea negra
2 - Para chegar mais perto de Deus
3 - Kryptônia
4 - Táxi-lunar
5 - Coração de rubi
6 - Filhos do câncer
7 - Napalm
8 - Dominó
9 - Xote dos poetas
10 - Embolada violada

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