01. Alguma Coisa por Aí 02. O que Eu Não Fiz 03. Sobre a Cabeça 04. A Outra Trilha de Sumé 05. O que Ela Tem 06. Yeah Yeah 07. Teus Olhos 08. A-M-N 09. Dia Inteiro 10. Vá se Foder 11. O que é que Tem pra Tu Vê na TV 12. TPM 13. Oportunidade 14. HC 15. Enquanto Otacílio Batista Explicava
É uma banda da Paraíba que usa um violão todo fudido e faz um barulho desgraçado! Biografia
A ZEFIRINA BOMBA começou em 2003 com a idéia de experimentação sonora. Utilizando instrumentos não-convencionais como berimbau e viola. Este interesse surgiu a partir da observação dos violeiros no centro da cidade “a gente imaginava aquela barulho estridente ligada no volume maximo” a sonoridade mais áspera e aguda da viola ia de encontro aos padrões de banda de rock e ao mesmo tempo nos remetia as raizes locais como Otacílio Batista, Zé Ramalho e Jackson do Pandeiro.
A intenção de romper com a estética formal, vinham de outras referências como Vladimir Carvalho, Tom Zé, João Cabral de Melo Neto, Lula Côrtes, Jaguaribe Carne. O fato é que moravamos num marasmo chamado João Pessoa e tudo que queriamos era acabar com aquela aparente tranquilidade. Sem dinheiro pra comprar uma guitarra a saída foi montar tudo numa viola de 10 cordas que eu tinha em casa.
“o primeiro registro sonoro de fato!!” foi gravado no dia 06 fevereiro de 2003 com um gravador ADAT de 8 canais em pouco mais de duas hora [mais ou menos o tempo das músicas + mixagem]. Este material chamou atenção de cara, fazendo a banda ser convidada para vários festivais, entre eles o MADA [Natal – RN] e dispertou interesse de produtores como Carlos Eduardo Miranda.
Os shows com a viola eram bem dificeis, por quê ela saturava muito rápido, então eles duravam uns 15 minutos, isso dava mais ou menos 11 músicas “era o caos!”. Mas a idéia niilista precisou ser restruturada quando viemos pra São Paulo em 2005, precisamos de um pouco mais de controle sobre os instrumentos.
Logo que chegamos em São Paulo, andando ali pelo centro [anhangabaú, praça dos correios] vimos algumas coisas usadas, e tinha uma carcaça de DEL VECCHIO [violão tradicional feito aqui mesmo em São Paulo] “quanto é? Faço por 100 reais/ dá não, tá todo detonado [na verdade eu falei fudido] sem corda, ponte, tarracha [só era a carcaça mesmo, mais eu fiquei pirado!!] quanto você tem? Perguntou o cara/ tenho 40 conto. Vai... ...eu vendo” pense num paraiba feliz voltando com isso pelo meio da rua!! até hoje uso ele. E assim a equação ficou: DelVecchio + cordas Canário + captador Coreano = Zefirina Bomba. Mantive a mesma afinação da viola, e com show de 30 minutos as portas foram se abrindo, MTV Banda Antes, festivais maiores como o REC BEAT em Recife e um contrato com a TRAMA [lançamos pelo selo Trama Virtual] para um primeiro disco.
Depois disso, mais de 350 apresentações em quase todos os estados da federação, quase tudo feito de carro [um Uno que rodou 96 mil quilometros levando 4 pessoas mais dois violões, um baixo, ferragens de bateria, pratos, caixa, um amplificador pro violão “crate GX212” se existisse excesso de bagagem rodoviário a gente tava perdido] apenas Belém - PA, Palmas – TO, Porto Velho – RO e Rio Branco – AC foram feitas de avião.
Recentemente fomos convidados para tocar no SXSW em Austin TX e em SETEMBRO/OUTUBRO fizemos nossa primeira tour Europeia [passando por PORT/SPAIN/FRA/ALEMANHA/HOLAND/REP. CHECA/AUSTRIA/BELGICA/SUIÇA...]
Severino Lourenço da Silva Pinto foi um poeta superlativo. Astuta raposa, cobra das mais venenosas. O seu poder de criação e a velocidade de raciocínio muitas vezes faziam as palavras tropeçarem umas nas outras, não pelo verso quebrado, absolutamente, mas quase engolindo sílabas, dada a ligeireza dos versos despejados em turbilhão. Autor de versos contundentes, tudo nele transpirava grandiosidade. Foi um gênio da cantoria.
A data de seu nascimento é incerta. Mas numa entrevista concedida a Djair de Almeida Freire, em 11/04/1983, na casa do poeta, ele revelou sua idade. Eis os principais trechos:
"Meu nome é Severino Lourenço da Silva Pinto Monteiro, nasci em 1895, a 21 de novembro, a uma da madrugada, assim dizia minha mãe. Batizei-me a primeiro de janeiro de 1896, pelo padre Manoel Ramos , na Vila de Monteiro. Nasci na rua, mas morava em Carnaubinha. Com sete anos de idade, em 1903, fui para a Fazenda Feijão. Saí de lá em 1916, 30 de junho. Meus avós eram da Itália. Quando chegaram por aqui se misturaram com sangue de português. Esse Monteiro é parente dos Brito, eu sou parente dos Brito".
Essa figura legendária, que atendia pelo nome de Pinto do Monteiro correu muito trecho pelo Brasil afora. Filho de um tropeiro com uma doméstica, Pinto experimentou muitas profissões, antes de se dedicar inteiramente à viola. A primeira foi de vaqueiro. Foi soldado de polícia, guarda de serviço contra a malária, auxiliar de enfermeiro, vendedor de cuscuz no Recife. "Depois larguei os cuscuz e ficava cantando na calçada do mercado de São José", declarara o próprio Pinto, certa vez. Recordava outra vez que, ao cantar como estreante, alguém o alertou: "Se você continuar, vai cantar de assombrar o mundo". E assombrou. Ele tinha 25 anos quando começou a cantar. Foram seus mestres de cantoria Saturnino Mandu, de Poções (PE), Manoel Clementino, de Sumé (PB), e José de Lima em companhia de quem foi para o Recife onde cantou com muitos repentistas daquele Estado.
Em 1940, já tendo adquirido bastante experiência como cantador e mestre em cantoria, viajou para o Amazonas, onde até 1946 exerceu as funções de guarda do serviço contra a malária, ora em Porto Velho, ora em Guajaramirim, ora em Boa Vista. Quando voltou veio morar no Ceará. E em 1947 muda-se para Caruaru (PE). Depois mudou-se para Sertânea (PE), mais perto de Monteiro.
A característica marcante da cantoria de Pinto foi a naturalidade e rapidez de improviso. Cognominado "A Cascavel do Repente", Pinto era ágil, certeiro, veloz, e também venenoso e mortífero, deixando muitas vezes o oponente mudo e sem resposta. Numa ocasião, foi convidado a assistir a uma cantoria, em que um dos repentistas era Patativa, poeta ruim, cuja viola era toda enfeitada de fitas coloridas, Alguém pediu ao dono da casa que deixasse Pinto cantar. "Com a gente, não, não, só se for sozinho", defendeu-se a dupla. Pinto ficou em pé, no meio da sala, e disse:
Eu não sei como se ouve
Cantor como Patativa
Toda pronúncia é errada
Toda rima é negativa
A viola só tem fita
Mas a cantiga é merda viva".
A troca de "amabilidades" com qualquer que fosse o cantador era uma constante. Se o adversário era ruim, apertava o cerco. Se, por outra, era um do porte de Lourival Batista, a disputa fervia. Destemido, lutou contra cangaceiros, quando era da polícia. Mas, não chegou a lutar contra Lampião, pois somente quando estava no Acre, no serviço contra a malária, é que o famoso sertanejo entrou no cangaço.
A Cascavel do Monteiro esguio, estatura mediana, teve quatro mulheres. Nenhum filho, ao menos oficialmente. Aprendeu a ler e a escrever, já adulto, o que foi suficiente para aprimorar conhecimentos de história e geografia gerais, história antiga, história do Brasil. Gostava de escrever poemas e cartas aos amigos. Era um assombro de agilidade e insolência. Malcriado como sempre, acabava com o violeiro nas primeiras linhas.
Cantando em Caruaru, com Aristo José dos Santos, ouviu a estrofe que assim terminava: "moço comigo é na faca / velho comigo é no pau". Respondeu:
Mas eu sou como lacrau
Que do lixo se aproxima
Vivendo da umidade
Se alimentando do clima
Pra ver se um besta assim
Chega e bota o pé em cima.
Se provocado não tinha papas na língua nem conveniências. E o contendor era obrigado a recuar porque, com sua peculiar fertilidade de versejar, era capaz de fazer uma segunda sextilha antes que o outro se refizesse do choque da primeira resposta. Cantando uma vez com Joaquim Vitorino, este caiu na asneira de fazer referências às lapadas de cana de um primo seu. Pinto então fez esta sextilha, causando um certo desconforto no companheiro:
Você bebe até veneno!
Seu pai é bom troaqueiro,
Manoel, um ébrio afoito
Vive apanhando em Monteiro!
Quem tem uma corja desta
Não fala de cachaceiro.
A cantoria é uma manifestação muito criativa. E cantar de improviso requer muita agilidade de pensamento. E Pinto tinha tudo isso. Ele atravessou décadas cantando. Conheceu uma centena de repentistas, duelando com muitos deles. Desafiou grandes cantadores, como Lourival Batista, Dimas Batista, Pedro Amorim, Rogaciano Leite, Heleno Pinto (seu irmão), Antônio Marinho e muitos outros. "Eu assisti Pinto no auge, com Louro. Várias vezes. Nunca consegui saber qual dos dois estava na frente. No mínimo, era um empate", relembra Raimundo Patriota. E acrescenta: "Seguir o estilo de Pinto era muito difícil. Era um estilo muito pessoal. Muitos tentaram, mas não conseguiram". A verdade é que o nome de Pinto tomou-se um marco no universo da poesia improvisada do Nordeste. Diz-se que foi o maior.
Pinto de Monteiro, Poeta e Violeiro.
Certa vez, ao ser perguntado sobre os maiores repentistas, Pinto não titubeou: "Foi o sogro e o genro" (referindo-se a Antonio Marinho e Lourival Batista). Com Job Patriota, foi mais direto: "Do meu tamanho mesmo, só Louro e Antônio Marinho. O resto é assim do seu tamanho". Quanto a Rogaciano Leite, considerado discípulo da Cascavel, Pinto coloca-o no rol dos grandes, chamando-o de "monstro".
João Furiba cantou muito com Pinto e não tinha medo de apanhar. No Festival de Violeiros de Olinda, em 1984, Furiba homenageou o mestre, presente ao acontecimento. "Seu verso hoje é açude / que abarrota a represa / rio que não perde a água / planta que possui beleza / gênio que desdobra o mundo / por conta da natureza".
Não se sabe, ao certo, com que idade Pinto morreu. Uns dizem que ele era de 1895, outros, de 1896. O próprio dizia que nasceu ora em 2 de novembro de 1896, ora em 21 de novembro de 1895. Afirma-se que morreu com mais de cem anos. Testemunhos dizem que era mais novo do que Antônio Marinho apenas dois anos. Conforme esse dado, Pinto teria morrido aos 101 anos, uma vez que Marinho é de 1887. Já velhinho, carregava um pandeiro para acompanhá-lo nos improvisos, alegando que "o volume é mais pequeno / e o pacote é mais maneiro".
Para alegria dos admiradores, Pinto deixou sua voz registrada em dois LP's — Pinto do Monteiro: Vida, Poesia e Verdade, produzido pela Fundação Joaquim Nabuco, e Pinto de Monteiro e Zé Pequeno: acelerando as asas do juízo, selo independente. Há, ainda, sua imagem e voz em inúmeras fitas de vídeo, Super-8, cassete, cinema. Deve haver, também, registro de muitos dos festivais dos quais participou, no Recife, São Paulo, João Pessoa, Fortaleza, Caruaru, Limoeiro, Petrolina, Campina Grande, entre outros.
No I Congresso de Cantadores do Recife, organizado por Rogaciano Leite, em 1948, no teatro de Santa Isabel, Pinto do Monteiro foi o grande vencedor, juntamente com o piauiense Domingos Martins Fonseca. Em dezembro de 1970, foi ao Festival de Cinema de Guarujá, com Lourival Batista, Job Patriota, Pedro Amorim, José Nunes Filho. Teve participação em filmes, entre eles, Nordeste: Cordel, Repente, Canção, dirigido por Tânia Quaresma.
Certa vez, Pinto cantando com um outro seu colega, este elogiava o Sertão, terra do velho cantador, e terminou uma sextilha assim: "Não sei medir o tamanho / dessa gente sertaneja". Pinto pega na deixa e diz, com sua maneira autêntica de sertanejo puro e de versos fáceis:
Que eu esteja em casa ou não esteja
chegue, entre e arme a rede
coma se estiver com fome
beba se estiver com sede
se quiser se balançar
empurre o pé na parede.
De outra feita, numa dessas suas grandes e ferrenhas lutas, em seu desafio o parceiro termina uma sextilha assim: "quando eu for para o outro mundo / vou lhe promover a galo". Facilmente, Pinto jogou esta sátira:
Se eu gozar desse regalo
concedido pela providência
quando eu for pra o outro mundo
havendo esta transferência
você vem como galinha
para a mesma residência.
Pinto era um verdadeiro cantador de repente. Bem diferente dos que normalmente conhecemos, que seguem uma rotina. Ele não. Respondia ao que lhe perguntam e revidava conforme lhe feriam. Numa cantoria, seu colega querendo atacá-lo, disse: "Aqui nesta cantoria / eu quero deixá-lo rouco". Pinto, com sua inesgotável idéia, responde:
Cantar com quem canta pouco
é como viajar numa pista
com um carro faltando freios
o chofer faltando a vista
e um doido gritando dentro:
"atola o pé motorista".
Em toda cantoria há o momento dos elogios, em que o cantador faz uma exaltação ao ouvinte, para agradá-lo e a paga ser recompensável. Era uma delas, o velho Pinto elogiava um sujeito e tudo fazia para agradá-lo. O camarada foi se retirando e não pagou. Pinto notou que ele tinha uma verruga no rosto e imediatamente soltou a dele, com esta sextilha:
Eu não posso confiar
em cabra que tem verruga
cachorro de boca preta
terreno que não enxuga
comida que doido enjeita
e casa que cigano aluga.
Sua viola era sagrada. Tinha um ciúme danado dela. Quando ele próprio sentiu que já estava próximo da morte, pois se encontrava muito doente, fez a seguinte recomendação à sua mulher:
Velhinha, quando eu morrer
Conserve a minha viola
Bote ela numa sacola
E deixe o rato roer
Barata dentro viver
O morcego morando nela
O cupim comento ela
E ela perdendo o valor
Só não deixe cantador
Bater mais nas cordas dela.
De 1988 até a morte, Pinto permaneceu em Monteiro. Já cego e paralítico, porém totalmente lúcido, entregou-se à morte por absoluta falta de opção, numa noite de domingo, 28 de outubro de 1990, após viver mais de nove décadas, pelo menos, e deixar seu nome inscrito nos anais da fama, como cantador dotado de muita agilidade mental e muita ironia.Seu derradeiro sonho era morrer em Pernambuco, próximo dos companheiros de viola. Não o realizou, mas garantiu que ficaria para semente, como, de fato, ficou, brotando na memória do improviso:
01- Rosa roseira, tomar banho, xô lavandeira, a dona da casa 02- Pisei na pedra, chuva chovendo, piaba 03- A lavandeira, morena jardineira 04- Eu vi cantar o sabiá 05- Passarinho da lagoa, chuva chovendo 06- Pífanos 07- Fala de Seu Zuza e pífano 08- Oh papai (intrumental) 09- Meu relógio de parede, velho cirandeiro 10 - Avião da viúva, arrocha o bumba, o meu balão 11- Rosa, lourinha 12- Benedito de Nosa Senhora da Conceição 13- O retrato de Creuza, chorei, oh dendê 14- Lê lê o cauá 15- Benedito de São José 16- Viva São José 17- Coresse nego, oh menina bonita, o galo cantou, um coco novo 18- Açucena, rapaz solteiro, carrapichina, estrela Dalva 19- Canina, Adeus 20- Adeus
Quilombo de Caiana dos Crioulos reverencia sua história nas rodas de ciranda e no coco-de-roda.
Seu Zuza (a esq.) Dona Edite do Coco e Tota o atual pifeiro no surdo.
A comunidade quilombola de Caiana dos Crioulos, localizada no município de Alagoa Grande, distante 125 quilômetros de João Pessoa, reverencia e preserva a cultura dos antepassados através do canto e da dança. “Não há uma festa no ano que não tenha uma ciranda, um coco-de-roda”, explica Severina Luzia da Silva, ou Cida, 38 anos. Além de agricultora, ela é uma das integrantes do grupo musical que leva o nome da comunidade.
A tradição na comunidade é tão forte que Cida diz não lembrar quando ou como começou a usar a voz e o corpo para executar o coco. “Antigamente, não tinha uma outra diversão na cidade que não fosse essa. Só lembro que o povo se reunia nas festas e ficava dançando e cantando a noite toda. E eu lá com eles”, revela a quilombola, abrindo um sorriso.
Em Caiana dos Crioulos, ainda segundo Cida, bastava juntar algumas pessoas para que se formasse uma roda de ciranda ou de coco. “O pessoal vinha chegando para rezar um terço ou uma novena, mas não deixava de brincar.” Além do canto e da dança, as rodas em Caiana também têm o pífano (instrumento de sopro), o triângulo, a zabumba e o ganzá (instrumentos percussivos).
Preocupados em manter a cultura local, os moradores incentivam a participação de crianças e jovens nas apresentações. “Temos também um grupo de ciranda-mirim, para não deixar morrer a tradição. Os mais velhos vão deixando o aprendizado para os mais novos”, completa Cida. A comunidade abriga aproximadamente 800 pessoas (cerca de 150 famílias), o que deve garantir muitas gerações de coquistas.
Registro em CD
O que era “brincadeira” acabou virando coisa séria, com o surgimento do grupo musical Caiana dos Crioulos, formado por quilombolas da comunidade. O grupo já lançou um disco, gravado em 2003, chamado Ciranda, coco-de-roda e outros cantos.
A brincadeira do coco – como os habitantes do local chamam – foi levada para o CD. O registro, feito na própria comunidade, tem um clima descontraído, dando uma leve impressão de como são as festas na comunidade. Risadas, falas e cânticos religiosos se misturam com a melodia das canções, tudo de forma bem natural.
O trabalho foi feito pela produtora e cantora paraibana Socorro Lira e é o primeiro volume do projeto Memória Musical da Paraíba. O grupo já se apresentou em várias cidades do Estado e, segundo Cida, pretende gravar mais um disco em 2007.
O Artigo CAIANA, COCO E CIRANDA: AS CIRANDEIRAS DE CAIANA DOS CRIOULOS E A ARTE DE (RE) INVENTAR AS TRADIÇÕES E O COTIDIANO de Janailson Macêdo Luiz e Maria Lindaci Gomes de Souza pode ser lido no seguinte link:
01. Sextilhas (Início De Cantoria) 02. Gemedeira 03. Mourão De Sete Pés (Trocado) 04. Mourão De Você Cai (Dez Pés Lá Vai) 05. Oito Pés A Quadrão 06. Dez Pés A Quadrão 07. Martelo-Alagoano 08. Galope À Beira-Mar
01. O poeta e o passarinho (Otacilio Batista) 02. Advertência (Oliveira de Panelas) 03. O homem de Belém (Otacilio Batista) 04. Conformação (Oliveira de Panelas) 05. Coisas do sertão (Otacilio Batista) 06. Filho renegado (Oliveira de Panelas) 07. Engenho de pau (Otacilio Batista) 08. Conflito das nações (Oliveira de Panelas) 09. Oração da paz(Oliveira de Panelas) 10. 12 horas, 12 dias, 12 meses, 12 anos (Otacilio Batista)
01 divida a felicidade (rouxinol da paraíba) 02 limpando nossa história (zé cardoso e joão lourenço) 03 vaquejada, motorista, vaqueiro e cantador (rouxinol da paraíba) 04 missão do pai (zé cardoso e joão lourenço) 05 deus pura da minha inspiração (rouxinol da paraíba e zé cardoso) 06 mais tudo indica que sim (zé cardoso e joão lourenço) 07 mulher que só quuis me enganar (rouxinol da paraíba) 08 as regras da conduta (zé cardoso e joão lourenço) 09 fragilidade da vida (rouxinol da paraíba e zé cardoso) 10 eu queria (joão lourenço) 11 cartinha apaixonada (rouxinol da paraíba)
01. Pot-pourri: Martelo dodecassílabo/ Mourão / Dez pés a quadrão
02. Pot-pourri: São Paulo faz tanto frio que doe na carne da gente (Mote) / Brasil caboclo
03. Estilo Galope à Beira do Mar
04. Padre Cícero Romão Batista, Virgulino Ferreira, Lampião
05. Estilo Gemedeira
06. O Vaqueiro e O Pescador
07. Vamos Pedir a Pelé que não deixe de Jogar
08. Pot-Pourri de Estilos de Cantoria
A MÚSICA BRASILEIRA POR SEUS AUTORES E INTÉRPRETES.
Série lançada a partir de parceria entre a Fundação Padre Anchieta e o SESC São Paulo. Gravação original realizada em 27/09/1973 para o programa "MPB - Especial", dirigido por Fernando Faro na TV Cultura de São Paulo, no qual alternavam-se músicas e depoimentos do artista focalizado.
Diniz Vitorino (06/05/1940 - 05/06/2010), Paraibano de Lagoa de Monteiro, gravou 2 LPs e 1 Cd, participou de vários festivais de violeiros, conseguindo 23 primeiros lugares. Publicou 4 livros de poesias, três romances e vários córdeis. Um dos grandes mestres de uma geração de repentistas históricos. Era de família de poetas, filho de Joaquim Vitorino e irmão do também poeta Lourinaldo Vitorino.
Diniz Vitorino
Diniz foi parceiro de nomes clássicos da nossa cantoria de repente, entre eles, e é impossível citar todos, estão; Manuel Xudú, os irmãos Batista, Pinto do Monteiro, Jó Patriota, Ivanildo Vilanova, Geraldo Amâncio, Oliveira de Panelas, entre tantos outros.
O mestre Diniz era dono de uma das vozes mais fortes do repente. De uma linhagem de poetas eruditos e letrados, com um vocabulário rebuscado tanto no falar como no modo de cantar de improviso, ou escrevendo seus sonetos.
Abaixo, o áudio de "Martelo agalopado-Galope à beira mar-Oito ao quadrão":
Otacílio Guedes Patriota, mais conhecido como Otacílio Batista, nasceu a 26 de setembro de 1923 em São José do Egyto (PE) e morou na Paraíba desde 1977. Membro de uma família onde contabiliza mais de cem cantores e poetas, ingressou definitivamente na carreira musical quando fez sua primeira cantoria, na tradicional festa de Reis, realizada em sua cidade natal, no dia 6 de janeiro de 1940.
Numa época em que os repentistas eram mais aventureiros, Otacílio se apresentava por várias cidades do interior nordestino, juntamente com os irmão Lourival e Dimas Batista. Nesse ritmo, rapidamente aprimorou seu trabalho, envolvendo a diversidade de tipos da cantoria com suas sextilhas, “quadrão” em 8 e em 10, martelo agalopado, mote, gemedeira, entre outros.
Por exigência da profissão, as viagens continuaram, mesmo depois que foi morar no Ceará, onde ficou por mais de 20 anos, casando-se com Rosina Freitas, com quem teve 10 filhos. Além das aventuras, a época favorecia também maior atuação dos repentistas nas rádios nordestinas. Em Pernambuco, participou de um programa na Rádio Clube de Pernambuco e também em emissoras de Caruaru, Fortaleza e na Rádio Tabajara de João Pessoa, onde manteve um programa diário durante mais de 10 anos. Otacílio também teve participações na televisão, a exemplo do Som Brasil, apresentado por Rolando Boldrin.
Quando vivia somente de sua arte, Otacílio viajou muito percorrendo o Brasil de ponta a ponta. Esteve também no exterior. Quando em parceria com Oliveira de Panelas foi a Portugal em 1996, a convite do governo português; e a Cuba, quando participou do Festival de Cultura Caribenha, no ano de 1997.
Repentista, escritor e sobretudo poeta, Otacílio registrou sua obra em 9 discos, mais de 10 livros, vários folhetos de cordel, além de ter sido tema em matérias jornalísticas da grande imprensa brasileira, a exemplo do Jornal do Brasil e Folha de São Paulo. No campo literário, considera sua obra mais importante a Antologia Ilustrada dos Cantadores, cuja primeira edição foi lançada em 1976. Esgotado em suas duas edições, o livro consiste numa pesquisa relatando a vida e obra de mais de 300 cantadores de viola.
Otacílio lançou também os livros de poesia Ria até cair de Costa(82), A Criança Abandonada e outros Poemas (83), O Caçador de Veado (87), O Que Me Falta Fazer mais e Outros Poemas(90), Poemas Escolhidos (93); os autobiográficos Os Três Irmãos Cantadores (95) e Dois Poetas do Povo e da Viola – Otacílio Batista e Oliveira de Panelas (96); além dos cordéis Peleja de Otacílio Batista com Zé Ramalho e Peleja de Zé Limeira com João Mandioca, entre outros.
Sua discografia é composta pelos LPs Só Deus Improvisa Mais – Otacílio Batista e Oliveira de Panelas (1976), Otacílio Batista do Pajeú, produzido por Zé Ramalho em 1976, Os Irmãos Batista do Pajeú – Dimas, Otacílio e Lourival, Coletânea de Repentistas (75), Apelo ao Papa (parceria com Pedro Bandeira quando se apresentou na visita de sua Santidade a Fortaleza em 1980), Meio Século de Viola (89).
Confira abaixo o Documentário "A Voz do Uirapuru" sobre a vida e obra de Otacílio Batista.
Depois de ouvir Otacílio Batista cantar durante um festival de violeiros realizado no Rio de Janeiro, o poeta Manuel Bandeira escreveu os seguintes versos:
“Anteontem, minha gente, Fui juiz numa função De violeiros do Nordeste Cantando em competição, Vi cantar Dimas Batista, Otacílio, seu irmão, Ouvi um tal de Ferreira, Ouvi um tal de João. Um a quem faltava um braço Tocava cuma só mão; Mas como ele mesmo disse, Cantando com perfeição, Para cantar afinado, Para cantar com paixão, A força não está no braço, Ela está no coração. Ou puxando uma sextilha, Ou uma oitava em quadrão, Quer a rima fosse em inha Quer a rima fosse em ao, Caíam rimas do céu, Saltavam rimas do chão! Tudo muito bem medido No galope do Sertão. A Eneida estava boba, O Cavalcanti bobão, O Lúcio, o Renato Almeida, Enfim toda comissão. Saí dali convencido Que não sou poeta não; Que poeta é quem inventa Em boa improvisação Como faz Dimas Batista E Otacílio seu irmão; Como faz qualquer violeiro, Bom cantador do Sertão, A todos os quais humilde Mando minha saudação.”